O que há de errado com os roteiristas?

maio 23, 2008

Me sinto frustrado durante essa temporada de season finales que está se passando. Tem um fenômeno acontecendo depois da greve dos roteiristas que vou tentar explicar um pouco mais a seguir depois de explicar toda a situação na qual me percebi logo após terminar de ver o último episódio de Criminal Minds.

Começo introduzindo vocês a essa série, que é a que mais me identifico até agora. Como vocês devem perceber, principalmente pelo título dedicado a este recém-iniciado blog, tenho uma certa afinidade pea psicologia e pelo comportamentalismo. Na psicologia, o viés tomado pelo comportamentalismo, como a palavra bem descreve, é a análise do comportamento humano, suas variáveis, ações e repercussões. Criminal Minds entra nesse mundo de uma forma cinematográfica muito interessante, apesar de usarem muita estatística e algumas opiniões holísticas.

Falando mais sobre o episódio que me instigou a escrever esse texto, o final é breath taking e extremamente tenso. No caso, eles estão procurando novamente por assassinos em série (logicamente, já que esse é o trabalho deles) e acabam por tirar a conclusão que estão lidando com um grupo de terroristas não muito ortodoxos e extremamente organizados.

Olhando até agora, está tudo lindo e maravilhoso, indo de acordo com o esperado, entretendo as pessoas como deveria ser e relaxando a mente ocupada de estudantes de faculdades de psicologia. Só que, logicamente, não poderíamos ficar em paz com um seriado envolvendo serial killers. Como todos podem notar, quando assistimos qualquer história ser contada, acabamos por nos identificar com os personagens que ali estão, seja por semelhanças com a nossa vida ou por simpatizar com alguma causa. E esse sentimento não é diferente de qualquer outro que você nutre por pessoas com quem convivas pessoalmente. E quando essas pessoas se vão ou, mais precisamente, quando estes sentimentos começam a entrar em conflito, geram uma ansiedade, uma angústia bastante desconfortante. No episódio final, além da história central, algumas histórias particulares dos personagens se desenrolam e, no final, vemos todos indo aos seus carros, individualmente, para ir aonde quer que estejam indo. E A CENA FINAL É UM CARRO EXPLODINDO.

A minha expressão ao ver essa cena deve ter sido impagável. Um misto de “não acredito” e “só pode tá brincando comigo”. Os produtores deram pra ter essa mania nas séries que eu acompanho ultimamente. Essa foi só o estopim para a minha profunda depressão e angústia na qual me encontro neste exato momento.

Outra série que acompanho há muito e muito tempo é CSI. Acho que foi por ela que acabei descobrindo o mundo dos seriados via internet. No ultimo episódio deveria haver um fechamento de uma história que já estava rolando há alguma tempo. Conto isso com um certo conhecimento porque eu já conheço a história, o modelo de temporada que eles utilizam a muito tempo. É assim: eles começam a temporada com alguns episódios normais, com pessoas morrendo misteriosamente e eles achando todas as pistas necessárias pra achar o cara certo. Aí, eles fazem um ou dois episódios no meio da temporada com uma história contínua de um assassino que eles não conseguem pegar e só o farão no último episódio da temporada com uma trama fenomenal e extremamente atrativa. E, com um detalhe muito importante, havia um final. Simplesmente ficavam todos felizes (ou não em algumas vezes), mas havia um fechamento da história. Não havia uma continuidade pra próxima temporada ou qualquer coisa que o valha.

Com o CSI agora, foi a vez de um personagem interessantíssimo morrer nas mãos de um pessoa que só faz mandar na série e, ao invés de terminarem o episódio normalmente, dando várias reviravoltas e deixando os seus espectadores extremamente felizes e satisfeitos, eles preferem jogar a continuidade para daqui a muitos meses, quando continuarão a história. ISSO É EXTREMAMENTE VIL E CRIMINOSO!

Há também a série que mais emocionou até agora e é entitulada House. Resumirei ao máximo para vocês sentirem o peso que isto trás Este médico sarcástico, solitário e muito bom no que faz possui apenas 2 pessoas que se dão ao trabalho de conviver com ele e tentar algum tipo de relação: O Wilson, um médico oncologista que é o seu melhor e único amigo e a Cuddy, dona do hospital. Neste final de temporada, apesar da morte de uma personagem secundária, a morte que mais chama atenção é da amizade entre Wilson e House. Só com um resumo muito resumido com este que acabo de escrever pra vocês já se é capaz de sentir uma certa angústia, imagine quando você está envolvido em outras 10 histórias paralelas e que tem uma dependência direta nestes acontecimentos. É extremamente angustiante ver duas pessoas que se davam muito bem (no seu próprio jeito) e ajudavam um ao outro em inúmeras situações hilárias, acabarem por abalar a sua amizade num final de temporada, nos deixando a mercê de pensamentos imensamente tristes e solitários. Onde que uma amizade forte e de longa data acabando é um bom gancho pra uma próxima temporada. É simplesmente cruel com os espectadores não haver um fechamento numa história.

Esse comportamento foi visto por mim pela primeira vez numa série chamada Lost. Mas ela tem um propósito de ser, já que a história é uma só e não é contada em casos fechados a cada episódio. Há uma trama maior, histórias paralelas brilhantes e uma vasta gama de detalhes inusitados que nos levam a pensar sobre a série e suas decorrências reais ou imaginárias. MAS HÁ UM PROPÓSITO QUE NÃO É SOMENTE O DINHEIRO, CÁSPITA!

Onde já se viu, em algum lugar que seja, as pessoas se sentirem bem com a ansiedade/espera da morte de outras pessoas nas quais há um sentimento sendo investido. Claro que eu entendo o motivo pelo qual os roteiristas utilizam essas jogadas desleais. Logicamente as pessoas vão procurar a série daqui a alguns meses para saber o que aconteceu com o criminoso, saber quem morreu e chorar alguns litros frente a sua TV/monitor. Mas você há de convir comigo que é muito cruel uma pessoa conviver com um sentimento de perda durante um período prolongado como é este do hiato das séries americanas durante o verão de lá. Sem contar que este tipo de comportamento por parte de roteiristas, produtores e pintudões das companias de TV de lá demonstra uma falta de confiança imensa no que diz respeito a sua credibilidade e eficiência. Oras, se uma série é boa o suficiente, ela não precisa mexer a esse ponto nas emoções dos seus espectadores.Preferia as séries quando elas fechavam e recomeçavam a cada ano, sem histórias que nos deixam cabisbaixos durante todo este tempo.Esse era o propósito de uma série ou um bom filme. Haver as emoções envolvidas durante o período em que assiste. E nada mais. Bons eram os tempos dos desenhos animados…


Começando uma longa jornada

maio 21, 2008

Já estou aqui sentado há uns 5 minutos e não consegui achar uma maneira boa de começar este primeiro texto, quem me dera ter uma idéia que me renderia uns bons gastos sinápticos. Mas precisava logo estrear isso aqui antes que eu me desmotivasse e parasse com tudo como foi o que aconteceu com a última tentativa frustrada de me expressar em palavras. Já se vão uns bons 3 anos aí.

Depois desse tempo de abandono às palavras publicadas na web (que eram bem singelas e nem um pouco populares), acho que minha escrita evoluiu substancialmente, devido a faculdade de Psicologia que me força um pouco a desenvolver o hábito de leitura, mesmo que seja um pouco massante por vezes. E também pelos vários textos, dissertações e seminários que foram redigidos nesse meio tempo. Ah se aqueles julgadores de redação do vestibular que me deram 4,5 na época me vissem agora…

Resolvi voltar a essa vida devido a uma grande motivação que me apareceu nesse mês, e que mudou completamente os meus objetivos de vida, que estavam obscuros e bagunçados até então. Surgiu a idéia de mudança para o Canadá, a tentativa de uma vida melhor em um lugar totalmente diferente, de esforço compensado, de um risco muito grande e de uma perspectiva maravilhosa. Escreverei mais sobre isso em outra oportunidade.

Queria compartilhar agora um vídeo que me indicaram ontem e que renovou outra coisa que tinha me escapado há um tempo atrás:

Música sempre foi uma paixão incondicional pra mim, mesmo com os descréditos provenientes de mãe ou pelo apoio engraçado e, por vezes, irracional do pai. O piano sempre foi o instrumento que mais me chamou atenção, com timbres imponentes, baixos fortes e agudos limpos. Infelizmente, a condição financeira da qual compartilho não é muito agradável ao ponto de me disponibilizar um piano.

Aí vocês se perguntam o que um vídeo de um cara feio, que faz caretas horrendas, tem a ver com a minha paixão por piano. Explico: quando comecei a tocar piano, numa escola de música aqui da cidade, eu ainda tinha tempo livre pra ir até lá praticar e me deliciar naquela salinha minúscula onde cabiam 2 pessoas e um piano armário apenas. Ficava até 5 horas seguidas tocando aquela beleza. Era melhor que uma terapia qualquer que se vê por aí. Mas, quando entrei para a faculdade, não tinha mais esse precioso tempo para ser despendido nele e, sendo assim, tive que voltar ao violão e guitarra.

Apesar de estar me empenhando nesse instrumento que me gera uma satisfação muito grande também, o piano nunca saiu de voga. São dois instrumentos diferentes e que me fazem sentir diferente, não havendo jeito de traçar uma comparação. O piano só era inviável no momento, mas a música aqui não podia parar.

Ao ver esse vídeo, fiquei imediatamente maravilhado com o toque clássico que a música tem e, além disso, consegue ser muitíssimo contemporânea. Ao estudar superficialmente ela, vi que ficaria linda num piano, com um grave mais encorpado e um agudo mais definido. É íncrível como todo aquele sentimento que tinha dentro daquela pequena sala com um piano armário voltou vividamente pra mim neste momento.

Agora, estou trabalhando nela no violão, desenvolvendo um pouco mais de agilidade nos dedos. Mas ela tá guardada ali, pra quando eu tiver o meu piano de volta.